No Brasil, o valor do litro da gasolina depende do ICMS cobrado por cada estado. No Ceará, o imposto é de 17%, o que eleva o preço do produto. Quem mora na divisa com a Paraíba, por exemplo, abastece por lá, onde o ICMS é mais baixo. Em Fortaleza, o litro do combustível chega a até R$ 2,65, dependendo do posto. Na Venezuela, que tem a maior reserva de petróleo da América Latina, o litro do combustível custa 9 centavos de real. Em compensação, 1,5 litro de água mineral sai por R$ 2.
O litro da gasolina custa 97 bolivares, que correspondem a R$ 0,09. Acredite: encher com gasolina o tanque de um carro de família (com capacidade para 50 litros) num posto de Caracas custa R$ 5. Dono de uma das maiores reservas de petróleo do mundo e um dos principais fornecedores dos Estados Unidos, o país de Hugo Chávez tem sua economia regida há muitos anos pelo vai-e-vem do preço dos barris no mercado internacional. Quando o valor do ´ouro negro´ sobe, como agora, o governo tem dinheiro de sobra para investir em infra-estrutura e programas sociais.
O petróleo barato na Venezuela influencia, principalmente, a microeconomia, aquela do dia-a-dia. E a diferença está nas ruas. Quase não se vê carros de mil cilindradas, mais econômicos, nas ruas de Caracas.
A população de Caracas prefere carrões ao estilo norte-americano, que fazem em média de 5 a 7 quilômetros com um litro de gasolina - contra uma média de 10 quilômetros por litro dos carros mil cilindradas, um sucesso de vendas no mercado brasileiro, justamente pelo preço da gasolina.
Henrique Sanchez, de 30 anos, que trabalha numa produtora de vídeos na capital venezuelana, conta que nenhum de seus amigos tem carro econômico. ´São todos carrões, com motor grande e tudo. Para que comprar um carro mil se a economia seria irrisória?´.
O preço baixo na Venezuela contrasta com o dos países vizinhos. ´Quando vamos viajar pela América Latina, é comum levarmos galões de gasolina em tanques reservas porque o gasto que se tem com o combustível nos outros países é absurdo´, diz Henrique Sanchez. Para mim é assombroso que um litro de gasolina possa custar mais de 1 dólar. A sensação é que é dinheiro jogado fora, queimado´, completa. Como o dinheiro para o combustível não pesa no orçamento doméstico, o venezuelano usa o carro para tudo -mesmo que seja para se deslocar apenas por algumas quadras. A capital dessa ´Arábia Saudita´ sul-americana tem um trânsito digno das caóticas cidades asiáticas subdesenvolvidas. A hora do rush em Caracas é um inferno até para o mais destemido mineiro, pernambucano, gaúcho ou cearense, acostumados a driblar congestionamentos intermináveis, buracos e enchentes.